20.1.09

Presa

Sinto-me vazia,

asfixiada pelo ar que respiro.

Vagueio na sombra de um mar sem fim

onde me perco...

Estou cercada

e o labirinto em que me encontro

prende-me às mágoas da vida.

Para quê?


Para quê sorrir

se não estou feliz?


Para quê falar

se não sei o que digo?


Para quê fingir

se não sou actriz?


Para quê sonhar

se nada se torna realidade?


Para quê respirar

se não sei porque existo?


Para quê...para quê...

Solidão

É ela, a grande culpada

quem diz que ela é a sua melhor amiga

não pode ser feliz.

Há quem lhe chame solidão

eu, cá para mim, chamo-lhe vazio

o buraco negro da vida,

aquele que nos corrói por dentro

e nos deixa sós... vazios.

Saudade de amar

Encontrei-te

e pensei que ao seguir-te te amava,

mas teus passos à dor me levavam

então, perdi-me.

Disseste-me adeus

com um simples olhar

e petrifiquei nas ondas da solidão.

Refúgio


Queria refugiar-me dentro de ti

para não ter de ouvir os outros falar.

Queria encontrar-te por aí

para ter alguém a quem me agarrar.

Queria abraçar-te apenas a ti

para a solidão não me apanhar.

Queria fugir dali

para voltar a sonhar.

Queria que estivesses em mim.


(Sobre)viver


Em teus braços vejo outro mundo

mais fácil, mais forte, melhor.

Em ti encontro o que procuro

em ti existo, em ti perduro.


Mas foges e partes sem aviso

e tudo fica adormecido,

frágil, fraco, triste

pois sem ti não vivo, sobrevivo.



Saudade


Demos como adquirido o agora perdido

desejámos o tido mas não o possuído.

Lembrámos o passado, o querido, o tocado

mas perdemo-nos nas memórias, nas lembranças que ficaram.


Fabricámos uma história escrita pelo fado

recuámos muitas vezes com receio do inesperado.

Fugimos para outra instância irradiada por nós

mas vivemos e sentimos o que perdurará atroz.