Presa
Sinto-me vazia,
asfixiada pelo ar que respiro.
Vagueio na sombra de um mar sem fim
onde me perco...
Estou cercada
e o labirinto em que me encontro
prende-me às mágoas da vida.
Presa
Sinto-me vazia,
asfixiada pelo ar que respiro.
Vagueio na sombra de um mar sem fim
onde me perco...
Estou cercada
e o labirinto em que me encontro
prende-me às mágoas da vida.
Para quê?
Para quê sorrir
se não estou feliz?
Para quê falar
se não sei o que digo?
Para quê fingir
se não sou actriz?
Para quê sonhar
se nada se torna realidade?
Para quê respirar
se não sei porque existo?
Para quê...para quê...
Solidão
É ela, a grande culpada
quem diz que ela é a sua melhor amiga
não pode ser feliz.
Há quem lhe chame solidão
eu, cá para mim, chamo-lhe vazio
o buraco negro da vida,
aquele que nos corrói por dentro
e nos deixa sós... vazios.
Saudade de amar
Encontrei-te
e pensei que ao seguir-te te amava,
mas teus passos à dor me levavam
então, perdi-me.
Disseste-me adeus
com um simples olhar
e petrifiquei nas ondas da solidão.
Queria refugiar-me dentro de ti
para não ter de ouvir os outros falar.
Queria encontrar-te por aí
para ter alguém a quem me agarrar.
Queria abraçar-te apenas a ti
para a solidão não me apanhar.
Queria fugir dali
para voltar a sonhar.
Queria que estivesses em mim.
(Sobre)viver
mais fácil, mais forte, melhor.
Em ti encontro o que procuro
em ti existo, em ti perduro.
Mas foges e partes sem aviso
e tudo fica adormecido,
frágil, fraco, triste
pois sem ti não vivo, sobrevivo.
Saudade
Demos como adquirido o agora perdido
desejámos o tido mas não o possuído.
Lembrámos o passado, o querido, o tocado
mas perdemo-nos nas memórias, nas lembranças que ficaram.
Fabricámos uma história escrita pelo fado
recuámos muitas vezes com receio do inesperado.
Fugimos para outra instância irradiada por nós
mas vivemos e sentimos o que perdurará atroz.